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Prezados integrantes do Conselho de Representantes da FNA

A Diretoria Executiva da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) convoca os integrantes do Conselho de Representantes, Conselho Consultivo e Conselho Fiscal para reunião a ser realizada no dia 02 de março (terça-feira), às 20:00 (horário de Brasília).
O encontro ocorrerá de forma virtual pelo aplicativo Google Meet.
Na ocasião, serão tratados os seguintes temas:

a) Informes e atualização das representações nos grupos temáticos do jurídico e comunicação.

b) Representação da FNA e Sindicatos no Congresso UIA 2021 Rio, com as indicações solicitadas para envio à comissão organizadora (cota de gratuidade para participação no evento). Comissão FNA/ Sindicatos e Propostas de atividades sob coordenação da FNA e Sindicatos no Congresso UIA Rio 2021

c) Campanha para sustentabilidade dos sindicatos 2021 – valores base para CSU e mobilização pela taxa associativa (informe dos sindicatos sobre valores e estratégias)..

d) Definição de formato e possíveis datas para realização do ENSA 2021.

Solicitamos confirmar participação até 02/03/2021.
Contamos com a presença e colaboração de todos.

Cordialmente,

Eleonora Mascia
Presidente da FNA
Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas
Gestão 2019-2021 – A luta é todo dia!

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Leticia Szczesny/ Imprensa FNA

Extensão do que mulheres enfrentam diariamente nas ruas, nas casas e nas universidades, o patriarcado e as condutas machistas estabelecidos no âmbito profissional ainda são uma luta travada por arquitetas e urbanistas e por tantas outras profissionais que buscam igualdade de gênero. Uma delas é a arquiteta e urbanista Paula Fernanda Rodrigues, conhecida profissionalmente como Paula Ferdinan, de 34 anos. Natural de São Bernardo do Campo (SP), ela é uma das 156 mulheres que integraram a chapa mais votada para compor o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) na gestão 2021-2023, triênio em que, pela primeira vez, uma mulher irá comandar a autarquia. Paula faz parte das comissões de Comunicação e de Fiscalização.

Formada há 10 anos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), a arquiteta iniciou sua politização e se envolveu de forma mais efetiva com o tema da disparidade de gêneros na profissão quando trabalhou no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Lá, ao lado de outras profissionais, Paula ajudou a dar vida ao Grupo de Trabalho Mulheres na Arquitetura (GTMA), do qual foi uma das coordenadoras até 2019. Buscando conscientizar as mulheres quanto à existência do preconceito na esfera trabalhista e, até mesmo, pessoal, o grupo promoveu diversas ações e movimentos, como campanhas para chamar a atenção sobre a importância da denúncia. “Dentro de um sindicato os trabalhadores devem ser defendidos e apoiados e, nesse contexto, as mulheres, principalmente, pois são elas quem sofrem mais assédio moral e sexual em todos os ambientes”, declara.

Paula é uma das sócias-fundadoras do Castanha Coletivo de Arquitetura (@castanha.coletivo). Acompanhada de outras três arquitetas, ela tirou o empreendimento do papel em 2019 e, desde então, realiza reformas e consultorias focadas na arquitetura de interiores. “Nossa intenção é trabalhar da maneira mais horizontal possível para tornar a arquitetura justa e acessível, inclusive com parceiros e fornecedores. Nós temos esse histórico de trabalhos anteriores com ATHIS, então buscamos criar essa rede de conexões que valorize e fortaleça pequenas iniciativas de negócios”, explica.

Confira a entrevista completa com a arquiteta e urbanista:

Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) – Apesar de serem maioria no país, as arquitetas e urbanistas ainda enfrentam inúmeros desafios diariamente. Quais são os mais frequentes na profissão e porque eles ainda existem?

Paula Fernanda Rodrigues – Os desafios das arquitetas são os mesmos que as mulheres enfrentam diariamente fora do ambiente de trabalho. O que as profissionais passam nos escritórios, nas prefeituras, é apenas uma extensão, um reflexo do que passamos todos os dias por causa do machismo e da estrutura patriarcal. Quando saímos do escritório, assédio moral e assédio sexual acontecem no plano urbano também, na rua e dentro de casa. O desrespeito com as mulheres e a desconsideração com o nosso trabalho está em todos os âmbitos. Não acho que dentro da arquitetura exista alguma questão específica, podemos até falar de alguns pontos, mas é importante situar o preconceito que as mulheres sofrem no âmbito geral. A transformação do tratamento dado ao papel da mulher no campo profissional tem que acontecer em todas as profissões.

Pensando em alguns empecilhos que as mulheres sofrem e que acompanhei enquanto trabalhava no Sindicato, por exemplo: é muito comum que as mulheres sejam relegadas a alguns nichos dentro do escritório de arquitetura. As estagiárias mais novas podem ser colocadas em mesas na frente, sob alguma desculpa, mas de fato para recepcionar clientes e fornecedores. A área de projetos normalmente fica com homens, inclusive na extensão no corpo docente em universidades, enquanto as mulheres ficam sujeitas muitas vezes à parte administrativa e operacional. Em grandes escritórios isso acaba acontecendo muito. A questão do assédio também é comum nas universidades. Nós recebemos diversos relatos de preconceito de gênero na distribuição de notas, de professores fazendo comentários abusivos em tom de brincadeira e envergonhando as alunas, comentando sobre o corpo delas e menosprezando seu trabalho. A discriminação se amplifica ainda mais no caso de arquitetas negras e LGBTQI+.

Agora, a maternidade é o grande nó indissolúvel. No campo da arquitetura ainda não existe esse cuidado, onde as mulheres consigam conciliar a vida profissional e a maternidade. Elas acabam tendo que se dedicar a uma tarefa ou à outra, sob o risco de ficar sem o salário ou sem emprego, se estão em um escritório onde não têm a estrutura para manter os direitos da gestante. Se ela é autônoma, por exemplo, não tem como continuar com os projetos, ou finaliza com grande dificuldade e sem nenhuma segurança financeira e acaba perdendo clientes. Os abusos acontecem já nas entrevistas de emprego, né? Quem nunca recebeu a pergunta: “e você pretende ter filhos logo?” e outras do gênero.

FNA – A vitória da Chapa CAU+Plural nas eleições do CAU/SP representa um avanço em igualdade no colegiado e na profissão? Podemos ter esperança de um futuro mais igualitário?

Paula – Foi certamente um avanço conjunto. Em São Paulo, foi uma vitória acachapante e não esperada, estávamos confiantes, mas não sabíamos que seria um sucesso tão grande. O processo foi muito bacana e bastante horizontal. Encontros virtuais de 156 mulheres bem no meio da pandemia, que desejavam modificar alguns comportamentos caducos ocorrentes na instituição em busca dessa representatividade da profissão. É muito legal trabalhar somente com mulheres, pois tudo fica muito organizado, divertido, eficiente e mais prático!

Em relação à chapa eu destaco dois pontos importantes: o fato de ser uma chapa vitoriosa eminentemente feminina demonstra que os arquitetos estão mais conscientes da importância de ter essa representação dentro das instituições de classe, mais correspondente à distribuição de gênero na formação total de arquitetos e arquitetas no estado. Além disso, revela o desejo de mudança em relação ao que o CAU/SP tem sido até agora desde sua criação, em 2010. Certamente, essa chapa foi icônica.

Nós tivemos problemas, tentativas de impugnação. Há empecilhos, preconceitos. Os arquitetos que são mais retrógrados olham para o trabalho da chapa, essa disposição das mulheres de participar, como uma questão de identidade. E não é isso. É uma questão de representação de fato. Tirar do poder aqueles que estão habituados a isso e distribuir melhor esses cargos para que a tomada de decisões fique o mais democrática possível. Se podemos ficar um pouco mais otimistas? Acredito que sim. É um otimismo baseado no nosso trabalho diário e calcado no trabalho de muitas outras mulheres que abriram caminho para a gente já há décadas.

FNA – Você trabalhou de 2014 a 2018 como uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho (GT) Mulheres na Arquitetura no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Nesta época, quais foram as principais áreas de atuação do grupo?

Paula – De 2014 a 2018 trabalhei na Comunicação do SASP. Em 2015, foi formado o GTMA. O trabalho do grupo foi muito importante, porque rompeu algumas barreiras dentro da instituição. A nossa maior vitória, na época, foi conquistar e aprovar a paridade de gênero dentro do Sindicato para a próxima gestão. Não conseguimos, porém, incluir esse termo no estatuto. Além disso, apoiamos iniciativas como a revista Mulheres Invisíveis, tivemos o início de um trabalho de atendimento psicológico dentro do Sindicato para mulheres que sofreram assédio. Infelizmente, o SASP passou por diversos entraves e, hoje em dia, o GTMA já não está em atividade plena.

No entanto, durante o período em que estava em atividade realizamos diversas palestras, lançamento de revistas, debates com arquitetas negras, como Joice Berth, e nos Encontros Estaduais de Arquitetos nós sempre tínhamos uma mesa específica para os debates desse tema das mulheres na profissão e na cidade. Foi um trabalho muito enriquecedor. Eu gostaria que essas comissões de gêneros estivessem em todos os sindicatos de todos os estados e também nos CAUs. A pauta das mulheres nos escritórios, a questão da maternidade, do respeito ao trabalho intelectual e ao direito autoral das mulheres têm que ser uma discussão constante para que a gente consiga sempre se manter alerta para que esse poder conquistado não se perca. Sempre temos que estar alertas.

FNA – Como grupos como o Mulheres na Arquitetura podem contribuir para uma profissão com mais equiparidade?

Paula – Um dos pilares do GTMA era a questão da educação política, da conscientização dessas mulheres de que existe o machismo, o preconceito de gênero e de que o assédio é um fator real. Partíamos deste ponto de reconhecimento e conscientização no ambiente de trabalho, onde muitas mulheres, principalmente as mais novas, acabam não reconhecendo que aquilo está acontecendo, e tratam algumas situações como algo normal, muitas vezes vinda de um chefe, de um colega de trabalho, de clientes. O objetivo do grupo, por estar dentro do Sindicato, era melhorar as condições trabalhistas das arquitetas, por meio da exposição da opressão de gênero, da conscientização e do fortalecimento mútuo frente a essa violência e da busca por ferramentas práticas de ação para casos de opressão.

Tínhamos uma série de histórias em quadrinhos semanais com artistas mulheres, onde retratávamos essas situações cotidianas de machismo. Depois da conscientização, nós pensávamos em ações. Essa era a parte mais difícil, porque o Sindicato não tinha muita perna para agir, por isso pensamos no atendimento psicológico. Essa é uma discussão que precisa ser ampliada para a classe para tentar encontrar a solução. O que fazer com os casos de assédios já ocorridos? O que fazer quando a mulher reconhece que isso está acontecendo? Como impedir e conscientizar a todos? Esse é um debate que ainda ficou por acontecer e que eu acredito que tenha que ser incentivado em todas as instituições de arquitetura no país.

FNA – Qual seu conselho para mulheres que ainda estão na faculdade ou estão entrando no mercado de trabalho?

Paula – Eu já sinto uma diferença muito grande geracional dessas meninas que estão se formando agora e a minha. A geração delas é muito mais ousada, mais consciente do que a minha. Por exemplo, na minha faculdade quase não se falava neste tópico. A minha politização nesse quesito foi depois de 2013. Temos algumas pioneiras como a Terezinha Gonzaga, que estudou o assunto da mulher no urbano, do preconceito já na década de 90, mas eu não fiquei sabendo disso até conhecer o Sindicato. O meu conselho para essas meninas que estão se formando agora é que elas estudem muito essa questão da mulher e a questão da classe, pois há já muito material disponível para que a mulher arquiteta se envolva politicamente. Dentro do GTMA nós incentivamos os grupos de discussão nas faculdades, a organização e as ações coletivas como fazer panfletagem, encenações. Temos que encarar essa luta da mulher como uma atividade inerentemente política e que tem que ser feita com afinco, com cuidado, com responsabilidade e com firmeza.

Se eu pudesse eu também falaria: pensem sempre na questão da conscientização. Porque muitas mulheres não sabem e é nosso papel, de quem está mais consciente da situação, de passar isso adiante. A união entre as mulheres para encontrar soluções é o caminho. Fale sempre, exponha as situações, não guarde para si. Fale com outras mulheres, com outras pessoas e busque ajuda, porque a pior coisa é aguentar achando que somos culpadas pelas situações ou que não há nada que possa ser feito. As melhores soluções são sempre coletivas

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Aprofundar o conhecimento sobre a problemática habitacional brasileira com foco no contexto de desenvolvimento das cidades tem sido a proposta de diversos cursos e em diferentes níveis de capacitação oferecidos por plataformas privadas de ensino e universidades. O objetivo é instrumentalizar participantes para uma atuação voltada à habitação de interesse social (Athis), na perspectiva do direito igualitário à cidade e a partir das distintas arenas de atuação profissional.

No ambiente das universidades, com exceção dos níveis de Especialização e Extensão, muitas não possuem uma disciplina específica sobre o tema em nível de graduação em Arquitetura e Urbanismo, o que gera uma oferta de cursos em diferentes espaços, seja a partir de entidades de classe como sindicatos, conselhos de arquitetura dos estados e outras organizações de classe, e via plataformas privadas de capacitação, a exemplo do Sympla (www.sympla.com.br0 , que no ano passado promoveu mini-cursos da Athis no período de março a agosto.

A capacitação se torna relevante a partir da constatação de que mais de 85% dos brasileiros constroem e reformam sem qualquer orientação de arquitetos e urbanistas ou engenheiros, conforme levantamento divulgado pelo CAU/BR. Apesar da lei nacional (Lei Federal nº 11.888/2008, de autoria do arquiteto gaúcho Clóvis Ilgenfritz) que estabeleceu a Athis em 2008 prevendo a garantia de acesso gratuito de famílias de baixa renda ao trabalho técnico de profissionais especializados, a legislação ainda é pouco aplicada.

Outra iniciativa de capacitação vem da ONG Soluções Urbanas (http://www.solucoesurbanas.org.br/) , que neste ano abriu inscrições para a primeira turma dos cursos de Athis, com desconto de 30% aos arquitetos e urbanistas registrados nos CAU/UF e aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo. Os cursos são independentes, mas complementares, e foram adaptados das oficinas e workshops ministrados pela arquiteta e urbanista Mariana Estevão, a partir da experiência da ONG  com o desenvolvimento e aplicação da metodologia do Projeto Arquiteto de Família.

Também a plataforma e-Pavilion  (https://www.e-pavilion.com/) mantém em sua grade permanente de cursos online um voltado exclusivamente à Habitação de Interesse Social com temática residencial. Através de estudos de caso que contam com mapeamentos, implantações, tabelas, fotografias e croquis, são abordados aspectos como identificação de demandas populacionais, planejamento, execução, legislação, diretrizes para projetos de urbanização e de edificação, instrumentos de avaliação de projetos e outros aspectos.

 

 

 

 

 

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Neste episódio do FNACast, conversamos com o presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado do RJ, Rodrigo Bertamé, para falar sobre os 50 anos do Sarj. E ainda: reportagens especiais e abertura da agenda de lives em 2021.

O FNACAST é uma produção da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) com o intuito de divulgar informações sobre a Arquitetura e Urbanismo no Brasil e fortalecer a classe profissional.

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O 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO será um evento híbrido, com sessões virtuais, a partir de março, e atividades presenciais, de 18 a 22 de julho, no Rio de Janeiro, transmitidas ao vivo, pela internet, para congressistas do mundo todo. Nos próximos dias, a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) definirá os nomes dos integrantes da Comissão de acompanhamento do congresso.

A primeira Semana Mundial de Arquitetos UIA2021RIO, com conteúdo digital, será de 22 a 25 de março. Durante esta semana, o conteúdo estará aberto; depois, só terão acesso os inscritos no Congresso, cujos valores são € 90 para profissionais e € 60 para estudantes.

O tema escolhido para abrir o UIA2021RIO, em março, é aquele que mais aflige e preocupa o mundo atualmente: as fragilidades e desigualdades sociais. Arquitetos e urbanistas, nas mais diferentes metrópoles, têm atuado no enfrentamento de situações críticas, tentando reverter as condições precárias de moradores de favelas, cortiços, abrigos temporários, assentamentos informais e unidades habitacionais produzidas por autoconstrução ou autogestão. E eles trazem suas visões e experiências para o UIA2021RIO.

O primeiro debate da semana – com o título Arquitetura da Inclusão Social – reúne a arquiteta suíça Fabienne Hoelzel, a socióloga carioca Maria Alice Rezende de Carvalho e a jornalista Mariana Barros, que faz a moderação.

Fabienne Hoelzel teve uma experiência na Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) do Município de São Paulo e participou no Programa de Urbanização de Favelas (2009-2012). Ela é fundadora do Fabulous Urban, escritório de Design Urbano e Pesquisa com sede em Zurique, Suíça, e filial em Lagos, Nigéria. Fabienne comenta no debate o projeto Makoko Neighbourhood Hotspot, um centro comunitário polivalente que faz uso de biogás.

Historiadora e socióloga, Maria Alice Rezende de Carvalho faz uma análise ampla sobre as intervenções urbanas em favelas no Brasil, destacando o contexto político. A convite da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), Maria Alice participou da avaliação da primeira fase do Favela-Bairro, um dos mais destacados programas de urbanização de favelas, iniciado na década de 1980. Mais de 20 anos depois, a pedido do Instituto de Arquitetos do Brasil, ela elaborou um manual para ajudar os escritórios de arquitetura em seus diagnósticos sociais. Especialista no tema das cidades, Mariana Barros faz uma boa costura das abordagens.

O debate seguinte, sobre “O que é mesmo periferia?”, traz duas outras personalidades marcantes: o arquiteto Alfredo Brillembourg e o líder comunitário Gilson Rodrigues.

Alfredo é natural de Nova York e comanda o Urban-Think Tank (U-TT), escritório de design interdisciplinar em Caracas, na Venezuela. Seu foco é a inovação e a sustentabilidade em projetos para populações que vivem na informalidade – inclusive em razão de migrações. Em Nova York, fundou o laboratório de habitação urbana sustentável S.L.U.M. Lab.

Ele conversa com o Gilson Rodrigues, que nasceu na Bahia e hoje é conhecido como o “prefeito de Paraisópolis”, uma das maiores favelas da cidade de São Paulo. Gilson coordena o G10 das favelas, grupo de lideranças comunitárias com atuação nacional. A moderação cabe ao arquiteto Fernando Serapião, editor da revista Monolito.

O terceiro debate trata especificamente da “Arquitetura na Favela” e conta também com nomes ilustríssimos: os arquitetos Alejandro Echeverri e Jorge Jáuregui. Conhecido por um dos mais arrojados projetos de intervenção urbana e social – em Medellín, sua cidade natal, entre 2004 e 2008 – o colombiano conta como a arquitetura é capaz de mudar comportamentos.

O argentino Jorge Jáuregui, que há mais de 30 anos trabalha no Rio de Janeiro, comenta os pontos fortes e fracos de praticamente todas as iniciativas de urbanização de favelas já realizadas na metrópole e ainda traz as novidades de seus últimos trabalhos na República Dominicana. Entre os dois craques, quem assume a moderação é a também arquiteta e editora da revista Projeto, Evelise Grunow.

E ainda tem mais. Para consolidar esses conteúdos densos e de alta relevância será realizada uma live de encerramento. Convidados especiais discutirão as questões destacadas nos debates. “Será uma oportunidade para retomar tópicos apontados nos debates, cruzar ideias, consolidar os conhecimentos”, diz Elisabete França, Coordenadora do Comitê Científico do UIA2021RIO, que lidera a montagem da programação de debates.

A partir de março, a cada mês, o UIA2021RIO promoverá estes debates em série, culminando em lives. Em julho, as atividades presenciais realizadas entre os dias 18 e 22 serão transmitidas online.

Confira os horários da Primeira Semana Mundial de Arquitetos UIA2021RIO:

22/03 – 9h

A arquitetura da inclusão social

Fabienne Hoelzel (Suíça) e Maria Alice Rezende de Carvalho (Brasil)

Moderado por Mariana Barros

23/03 – 9h

O que é mesmo periferia?

Alfredo Brillembourg (Venezuela/EUA) e Gilson Rodrigues (Brasil)

Moderado por Fernando Serapião

24/03 – 9h

Arquitetura na favela

Alejandro Echeverri (Colombia) Jorge Jáuregui (Brasil)

Moderado por Evelise Grunow

25/03 – 11h

Live de Encerramento Fragilidades e Desigualdades

 

Mais informações no site do evento

 

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A Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA) abre a agenda de lives de 2021 com debate sobre o uso de mapas de ruído no controle da poluição sonora de grandes centros urbanos e sobre o seu papel na saúde física e psíquica de seus moradores. A transmissão ocorre no dia 25 de fevereiro, às 19h, no canal do Youtube da FNA. Para explicar como esse instrumento pode ser produzido e utilizado pelos profissionais que trabalham com planejamento urbano, participam da live o presidente da Sociedade Brasileira de Acústica (Sobrac), Krisdany Cavalcante, e a arquiteta e urbanista Carolina Monteiro, que é doutora em Engenharia Acústica e representante do Brasil no comitê de acústica de edificações da ISO.

Quem mediará a conversa será o arquiteto e urbanista Cicero Alvarez, ex-presidente da FNA e membro do conselho consultivo da federação. Ele explica que os mapas de ruído podem ser importantes ferramentas dos arquitetos e urbanistas na hora de planejar as cidades visando minimizar impactos e custos tanto para quem constrói como para quem utilizará o ambiente. Estudos da Organização Mundial da Saúde estimam que 10% da população mundial está exposta a níveis de pressão sonora que podem causar perda auditiva. A poluição sonora também pode trazer danos psíquicos. “O ruído está ligado ao acúmulo de estresse, problemas psicológicos e cardíacos. Seus efeitos são cumulativos no organismo. É um assunto que não só a classe profissional deve compreender, mas todos nós, enquanto sociedade. Como somos agentes da construção das cidades, temos que ter consciência das possibilidades de uso dos mapas de ruído e incorporar seu uso no planejamento das cidades.

Assista a live clicando aqui. 

Foto: hanohiki/iStock

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Depois de fortes críticas à Resolução CGSIM nº 64/2020, que trata de novas regras para o licenciamento urbanístico, o Ministério da Economia anunciou que vai submeter a revogação da medida. Será feita uma revisão do texto, com a participação de grupos de trabalho e e realização de audiências públicas. O governo já começou os contatos com conselhos profissionais como o CAU/BR e o CONFEA, entidades de municípios e estados, e representantes do setor produtivo, entre outros.

O convite já foi feito à presidente do CAU/BR, Nadia Somekh, em reunião com a Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade (SEAE) do Ministério da Economia. “Estamos aqui com a perspectiva para ajudar. Aceitamos o convite e já criamos um grupo de trabalho no CAU/BR”, disse a presidente.

Na reunião, ela destacou que é fundamental valorizar a responsabilidade técnica dos arquitetos e urbanistas, a competência constitucional dos municípios para fazer a regulação urbana e edilícia e a regularização de imóveis já construídos. “Nós temos um passivo muito grande da irregularidade das nossas cidades, e a resolução só tem foco nos novos projetos”.

PARTICIPAÇÃO DAS COMISSÕES DO CAU/BR
A Comissão de Política Urbana e Ambiental (CPUA) do CAU/BR, em reunião conjunta com a Comissão de Política Profissional (CPP), apoiaram a decisão da Presidência do CAU/BR em compor o grupo de trabalho proposto pelo
Ministério da Economia.

Decidiu-se ainda criar uma frente de discussão com arquitetos e urbanistas, entidades de classe e instituições para o aperfeiçoamento da norma, em paralelo ao grupo de trabalho.

Nessa reunião, os conselheiros federais da CPUA e da CPP apontaram possíveis inconstitucionalidades, ilegalidades e conflitos da Resolução CGSIM nº 64/2020 com a Lei nº 12.378, gerando prejuízos às práticas profissionais de arquitetos e urbanistas.

Fonte: CAU/BR

Foto: lamontak/iStock

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Com o adensamento das cidades e redução da disponibilidade de solo, o fenômeno da verticalização tem se intensificado nas cidades de todo o mundo. Assim como a verticalização de edifícios — que costuma dividir opiniões de arquitetos e urbanistas — muitas iniciativas têm buscado na dimensão vertical uma possibilidade para promover a presença do verde nos centros urbanos. Jardins, fazendas ou florestas verticais, hortas em coberturas e estruturas suspensas para agricultura urbana são algumas das possibilidades de verticalização do cultivo de espécies vegetais, cada uma com suas especificidades e impactos específicos para as cidades e seus habitantes.

Mas seria a verticalização a solução ideal para tornar as cidades mais verdes? E quais são os impactos dessa ação nos centros urbanos? Ou ainda, quais os benefícios da vegetação que são perdidos ao adotar soluções em altura, ao invés de promover seu cultivo diretamente no solo?

Em cidades com pouca disponibilidade de terrenos livres, como Tóquio e Nova York, fazendas verticais e coberturas verdes têm se multiplicado com o intuito de aproveitar espaços subutilizados para a produção de alimentos e promoção da segurança alimentar. Em Nova York, a cada ano, mais de 36 toneladas de vegetais orgânicos são cultivados no topo de edifícios, em um sistema que além de produzir alimentos contribui para que muitos poluentes não cheguem aos rios da cidade. Enquanto isso, na capital do Japão o projeto Sodaro Farms construiu pomares nas coberturas de estações de trem com livre acesso para a população e um edifício de escritórios transformou sua fachada em uma fazenda vertical.

Projetos como estes são exemplos de como o cultivo de diferentes espécies vegetais — voltadas para o consumo humano ou não — pode ser introduzido de maneira alternativa àquele feito diretamente no solo. Ainda que a “verticalização” possa assumir diferentes configurações a depender da estrutura utilizada, das espécies cultivadas e do contexto em que é inserida, estas soluções têm em comum a otimização dos espaços para a promoção de áreas verdes — mesmo que sua ocupação horizontal seja a mínima possível. Nesse sentido, os impactos da vegetação para as cidades, já muito conhecidos, adquirem uma nova dimensão a partir da verticalidade. Redução das ilhas de calor, aumento da biodiversidade, promoção da segurança alimentar, melhora da qualidade do ar, redução nas emissões de CO2 e outros impactos positivos do verde nas cidades são potencializados a partir destes modos alternativos de cultivo.

As “florestas verticais”, como são chamados os edifícios que nos últimos anos têm incorporado espécies arbóreas ao longo de toda sua altura, são mais um exemplo de verticalização de áreas verdes, e têm ganhado cada vez mais fama e prestígio, atingindo selos de sustentabilidade e inovação a nível internacional. O Bosco Verticale (2014), considerado o primeiro projeto de floresta vertical construído no mundo, projeto do escritório italiano Boeri Studio em Milão, já foi premiado internacionalmente pelo Deutschen Architekturmuseums com o International Highrise Award (2014) e pelo Council for Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) como melhor edifício em altura do mundo (2015).

Além dos benefícios das espécies vegetais para os espaços internos do edifício e para a cidade em geral, o Bosco Verticale se destaca também pela variação das folhagens ao longo do ano, produzindo um efeito estético único para o edifício.

Mas, apesar de todas as vantagens da verticalização de espécies vegetais, alguns dos principais benefícios que as áreas verdes podem trazer para as cidades — como a drenagem dos solos, redução de riscos de deslizamentos de terra e promoção de áreas sombreadas — são perdidos com a sua elevação do solo. Isso não quer dizer, no entanto, que a verticalização do verde não deva ser praticada ou incentivada, mas sim que, por si só, não é suficiente para promover mais benefícios a nível do solo e tornar as cidades mais “verdes” no sentido mais amplo do termo.

O arquiteto Lloyd Alter pondera que esse modelo de “esverdeamento” pode trazer condições ruins para as árvores pelas condições atmosféricas a grandes alturas e pela eventual falta de espaço para crescimento das raízes. Por esses motivos, a prática deve ser bem estudada em diversos sentidos, com estruturas apropriadas para suportar o peso e prever o crescimento das espécies — o que, desconfia Alter, pode levar a uma situação em que o CO2 liberado na produção do concreto para as jardineiras nunca consiga ser totalmente absorvido pelas árvores que suportam.

Como responsáveis por três quartos das emissões globais de gás carbônico no mundo, os espaços urbanos certamente devem ter um papel central na redução dos impactos ambientais no planeta. Enquanto alternativa para promover mais espaços verdes nas cidades e trazer impactos positivos para seus habitantes, a verticalização tem atraído olhares de muitos arquitetos e urbanistas para propor soluções inovadoras em cidades cada vez mais densas e com menos espaços disponíveis. Nesse sentido, a verticalização pode ser uma boa alternativa para esverdear espaços já construídos e otimizar a produção de espécies vegetais, mas não substitui a importância e os benefícios da ocupação das áreas verdes no solo.

Fonte: Archdaily 

Foto: Paolo Rosselli

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Em 2021, o Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio de Janeiro (Sarj), filiado à FNA, comemora o seu cinquentenário relembrando um histórico de lutas e conquistas em prol da classe trabalhadora. Em cinco décadas, foram inúmeras reivindicações pelo salário mínimo profissional, pela assistência técnica e pela reforma urbana, com destaque, também, para a sua importante contribuição para a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Agora, a missão é continuar defendendo os direitos dos trabalhadores no momento em que uma nova morfologia do trabalho se impõe à sociedade.

O desafio do sindicato é se reinventar sem perder sua essência, afirma o presidente do Sarj, o arquiteto e urbanista Rodrigo Bertamé. Para o dirigente, as mudanças chegam agravadas pela retirada de direitos trabalhistas e avanço da agenda neoliberal. “A fábrica já não basta mais. Você não para mais uma fábrica e um país. Nesse terreno da nova geografia da luta é que o sindicalismo vai precisar se reinventar”, pontua, referindo-se à época de criação do Sarj.

Pensando nos próximos 50 anos, Bertamé acredita que um dos principais pontos da discussão será fazer com que se compreenda o fato de que os arquitetos e urbanistas não são isolados da sociedade e das outras profissões envolvidas no campo da produção e da construção civil. “Precisamos entender que o problema não é de categoria, mas é de classe e, numa escala mais próxima, é de campo de trabalho. Nossas lutas, as lutas dos arquitetos, estão intimamente ligadas às lutas dos engenheiros, dos técnicos, dos pedreiros e todos os demais que constroem”, destaca.

Além disso, para o arquiteto e urbanista, é necessário congregar, cada vez mais, os profissionais na luta pelos direitos básicos da população, como acesso à água, saneamento básico e moradia digna. “Temos um segundo desafio, que é entendermos que a popularização do nosso saber técnico é parte desse processo. A maior parte da categoria será, daqui para frente, desempregada ou subempregada. O sindicalismo, para os próximos 50 anos, pode ser uma vanguarda se a gente reconstruir um sistema mínimo de seguridade social a partir dos sindicatos para a massa de trabalhadores precarizados e desempregados. Por que a gente não pode pensar um sindicalismo de hoje, para o futuro, que fomente, por exemplo, um sistema de renda mínima cidadã, ou que fomente outras formas de auxílio?”, questiona.

Para que essas mudanças aconteçam, explica Bertamé, é necessário que o sindicato se reinvente sem nunca esquecer da luta traçada ao longo de cinco décadas. “O SARJ 2020/2021 é isso, jovens como a Luana, a Yana, a Alyne, a Duda, o Gabriel, construindo junto com quem já esta ali como o Alex, o Celso, o Izidoro e etc, que se juntam e trocam com militantes históricos que participam de inúmeras dessas lutas desde a década de 70”, afirma.

União de gerações que faz a roda girar

Gerações separam os arquitetos e urbanistas Alexander dos Santos Reis e Luana Barreto. Mas o que eles têm em comum é o engajamento e vontade de mudar a realidade dos trabalhadores brasileiros. Militante da base jovem do Sarj, Luana afirma que o principal desafio para o futuro do sindicato será assimilar o novo perfil do arquiteto, se reinventar, ganhando legitimidade entre esses profissionais. “É preciso reorganizar um movimento de solidariedade entre trabalhadores, um movimento intersindical, para a reivindicação de melhores salários e condições de trabalho, abertura de concursos públicos principalmente para atender ATHIS, bem como colocar em pauta reivindicações maiores”, diz.

Ocupando o cargo de terceira suplência na diretoria do sindicato, Alexander já atua há 20 anos no movimento. Presente em diferentes fases do sindicalismo, ele é categórico ao dizer que é preciso fomentar uma renovação equilibrada e com velocidade constante não só no Sarj mas em outros sindicatos e entidades como a FNA. “Nosso maior desafio é ficar atento ao que está acontecendo de forma que a gente não seja estático. Temos que rever a forma como fazemos a nossa política e garantir uma participação mais democrática que nos permita um enfrentamento mais preciso com relação à nossa profissão”, pontua.

Foto: dabldy/iStock

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Letícia Breda / Imprensa FNA

O Arquiteto e Urbanista é um curioso por natureza, muito observador, investigativo e criativo. É assim que a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) Maria Lucia Refinetti Martins define os profissionais que atuam nesta área. Envolvida há décadas com os projetos práticos voltados aos estudantes na instituição, Maria Lucia (Malu) construiu uma trajetória acadêmica que contempla três temas importantes no curso: Extensão, Residência e Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis)

Há mais de 20 anos na docência, a professora viveu inúmeras transformações na Arquitetura e Urbanismo, como a inclusão de novos conteúdos no currículo, a criação de projetos socioassistenciais no âmbito federal e a chegada do ensino remoto, que modificou a rotina das universidades em 2020. Para Malu, o curso de Arquitetura e Urbanismo deve tornar-se cada vez mais realista às demandas da sociedade. “Estamos vivendo o já designado Antropoceno, onde os humanos são a espécie predominante. E a maior parte da espécie vive em cidades. A desigualdade e as condições de vida nas cidades, as mudanças climáticas e os impactos do aquecimento são certamente a grande questão do futuro”, analisa.

Confira a entrevista completa com a arquiteta e urbanista:

Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) – Quais são as tendências no currículo de Arquitetura e Urbanismo no Brasil? O que podemos esperar para os próximos anos?

Maria Lucia Refinetti Martins – Acredito que a visão sobre a profissão está mudando em favor de uma atuação mais pública, voltada à sociedade de maneira mais ampla e despretensiosa, na busca de ampliar conforto e qualidade de vida nos espaços públicos e privados. Assim, o curso e a profissão são desafiados a dar maior ênfase à prática e a dar respostas às necessidades da maioria da sociedade. Nesse campo avalio que há três temas que se entrelaçam: Extensão, Residência e Athis. Tentaremos neste diálogo, refletir um pouco sobre eles. Relativamente à Extensão (um dos elementos do tripé da formação universitária ao lado do ensino e da pesquisa), há a resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018, da Câmara de Educação Superior do MEC, que determina para todos os cursos universitários a curricularização das atividades de extensão. Essas devem representar 10% da carga horária total dos cursos. Caberá aos cursos de Arquitetura e Urbanismo discutir tanto a natureza da extensão quanto sua articulação ou sobreposição ao estágio obrigatório, que atualmente pode ser cumprido em qualquer área da abrangência profissional, desde que supervisionado por profissional formado e habilitado. Desse modo, entre estágio e extensão, o curso deverá se tornar cada vez mais realista frente às demandas da sociedade, num contexto em que a urbanização de mais de 80% da população do país, a desigualdade e as fortes tensões ambientais são o grande desafio.

FNA – Como a assistência técnica ganha espaço nessas mudanças que estão chegando?

Maria Lucia – A Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis) é uma proposta concebida na década de 70. Desde suas primeiras formulações até hoje vivemos 50 anos de profundas transformações nas cidades e na sociedade brasileira. Passamos, no conjunto da sociedade, de um contexto de trabalho assalariado com baixa remuneração à ampliação do trabalho informal, particularmente no setor de serviços, sujeito a ganhos intermitentes. Em termos de assentamento popular ao loteamento precário e autoconstrução individual, que expressa a explosão do crescimento urbano até as últimas décadas do século XX, foi acrescentado grande crescimento de favelas e sua verticalização, assim como ocupações de áreas e de imóveis sem uso. Importantes movimentos de moradia se organizaram no período e promoveram alternativas coletivas e autogeridas de promoção da moradia.

Assim, a Athis passa de um conceito inicial de atuação na qualificação das moradias, num padrão que poderia ser autônomo (motivador da lei nº 11.888/2008 – direito à assistência técnica pública e gratuita, quando de sua proposição original, em 2002), para o envolvimento em projetos maiores, coletivos e que, na maioria das vezes, inclui questões de posse da terra, regularização, questões jurídicas e de busca e gestão de financiamento. A inclusão da Função Social da Propriedade no texto constitucional propiciou importante abertura para ampliação do acesso a espaços na cidade e para o trabalho dos arquitetos nesses espaços. A linha “Entidades”, dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, apesar de seus reduzidos recursos, também propiciou importante trabalho de assessoria a movimentos, desde a preparação de propostas para inclusão no programa até projeto e desenvolvimento das obras. Nossas entidades FNA, IAB e CAU são cada vez mais sensíveis ao tema da extensão, particularmente a Athis. A FNA vem há anos trabalhando fortemente nesse tema, promovendo seminários e publicações, o IAB também o tem recentemente pautado e o CAU, desde 2017, destina 2% de seus orçamentos anuais para financiar iniciativas de assistência técnica em habitação social.

FNA – Além da assistência técnica, quais outros temas que envolvem a realidade brasileira precisam ser inseridos de forma permanente no currículo?

Malu – Questão ambiental e infraestrutura. Estamos vivendo o já designado Antropoceno, onde os humanos são a espécie predominante. E a maior parte da espécie vive em cidades. As mudanças climáticas e os impactos do aquecimento são certamente uma grande questão. Mas no campo da formação dos Arquitetos e Urbanistas é particularmente a cidade que requer atenção, onde questões que formatam o meio ambiente urbano, como saneamento e drenagem, transporte público com menor emissão de carbono e a maneira como essas redes se articulam no espaço urbano com as edificações, são fundamentais. Também entram nessa lista a eficiência energética das edificações e redução das ilhas de calor.

FNA – Os projetos de extensão vêm ampliando seu espaço na Arquitetura e Urbanismo? O que o futuro reserva para essas iniciativas?

Malu – Seguramente. O interesse pela extensão se amplia entre os estudantes, inclusive por meio de coletivos autônomos de iniciativa dos próprios discentes. Temos também, desde o final de 2018, a resolução do MEC acima mencionada, que insere nos currículos créditos em extensão. E a ANPARQ instituiu neste ano o Prêmio de Projetos de Extensão, ao lado dos demais prêmios que contemplam aspectos acadêmicos como Teses, Dissertações e Livros. Trata-se de um incentivo muito potente, defendido pela colega Ângela Gordilho, atual presidente da ANPARQ. A partir do convite dela e da coordenadora dos prêmios 2020, Angélica Benatti Alvim, tive oportunidade de coordenar, junto com Dulce Bentes, a estruturação dos termos do prêmio e as avaliações, cujo resultado será ainda apreciado pela diretoria e divulgado no ENANPARQ, em março. E haverá uma exposição online de todos os trabalhos submetidos. Contando com uma comissão muito comprometida com o tema, foi possível observar entre o conjunto de trabalhos submetidos, a diversidade de entendimentos e de tipos de atividades desenvolvidas nos cursos de Arquitetura e Urbanismo enquanto atividades de extensão. Acredito que a premiação ajudará a construir um perfil e abrangência para essa atividade.

FNA – Como você avalia os programas de residência em Arquitetura e Urbanismo? Considera uma experiência positiva ou negativa? Por quê?

Malu – Estão sendo feitas algumas experiências, mas são ainda um “engatinhar”. Se de um lado são fundamentais para uma formação mais envolvida com a realidade da maioria da população, que não tem acesso aos serviços do Arquiteto e Urbanista, estão longe de configurar uma perspectiva de serviço universal. Representam um importante caminho. Mas o setor social não funciona sem um Estado organizado que atue e regule. Nas áreas da saúde, a residência é parte da política pública e os residentes são simultaneamente alunos em formação, mas também executores da política pública. A residência nas áreas de saúde envolve os Ministérios da Educação e da Saúde e atravessa os diversos níveis de governo e universidades em relação à forma de promoção e de controle. O conselho profissional reconhece e registra a residência. São habilitações. Participo há vários anos da comissão que aprecia as residências na USP e vejo a complexidade do que temos a desenvolver se queremos de fato qualificar o ambiente construído para todos.

Desde os anos 80, em que trabalhei com médicos sanitaristas, tenho essa área como referência. Os sanitaristas construíram uma carreira e criaram espaço dentro do estado brasileiro para promoção da saúde pública (basicamente puericultura, nutrição e vacinação), o que os arquitetos nunca conseguiram – ou para ser sincera, nunca de fato se propuseram. O sanitarismo partiu de um conceito de política pública considerando a estrutura federativa e níveis de complexidade da atuação. Construíram a lógica do SUS e um dos sistemas de imunização mais universais e eficazes no mundo. Tanto que sobrevive num contexto de ataques e desqualificações que vêm sofrendo com sutilezas perversas. Saúde Pública é medicina voltada ao coletivo, não aos indivíduos, como a Arquitetura e Urbanismo poderia ser. A residência pode ser um caminho para tanto.

FNA – A pandemia fragilizou o ensino presencial? Acredita ser possível adaptar o curso de Arquitetura e Urbanismo para um regime totalmente em EAD? O que se perde ou ganha nesse processo?

Malu – Primeiro é necessário deixar claro que o que exercemos durante a pandemia foi um ensino não presencial, mas sincrônico. As aulas eram online, mas o professor e os alunos estavam lá, dialogando. EAD é outra coisa, tem metodologia e procedimentos muito diferentes e principalmente quanto as formas de avaliação. Cursei alguns, para entender o funcionamento. Considero impensável um curso universitário integralmente EAD. O diálogo, o amadurecimento e a contestação são elementos fundamentais na formação universitária, que certamente não se constroem à distância. Mas o EAD veio para ficar? Sem dúvida, e em alguns aspectos é da maior relevância. Por exemplo a área de agricultura e pecuária tem cursos importantíssimos para o pequeno agricultor que está lá no Brasil profundo com difícil mobilidade. São cursos de difusão e atualização da maior importância. Tenho certeza de que os arquitetos e urbanistas têm muito a promover em condições equivalentes.

FNA – Como você avalia a possível fragilidade acadêmica de alunos formandos que precisaram se adaptar ao ensino a distância no final do curso?

Malu -Venho dando aula para os anos finais do curso: 8º semestre e trabalho de formatura (TFG). Claro que foi penoso, mas para esses alunos que já conheciam bem seus colegas, os professores, o formato do curso e os métodos de ensino, e que nessa etapa já têm habilidade com o computador, programas específicos, funcionamento de redes e compartilhamento de arquivos, não foi um drama. Tomamos alguns cuidados e a universidade deu suporte, disponibilizando pacotes de acesso à internet aos que expressaram dificuldades. Reprogramamos disciplinas, adequamos conteúdo para aulas mais curtas e mais tempo de trabalho e dividimos turmas, para um diálogo em grupos menores, mais individualizado. Funcionou, os alunos expressaram isso e houve trabalhos muito bons. Mas quem sofreu muito foram os anos iniciais, particularmente o primeiro ano, com depoimentos desesperados. Foi infinitamente mais sofrido. Inviável inserir os recém chegados num ambiente em que a imersão na “cultura” da Arquitetura e Urbanismo é parte essencial da formação.

FNA – Na sua percepção, o que os formandos almejam quando deixam a faculdade? Saem pensando em trabalhar em grandes projetos? Ou estão mais voltados à realidade da sua região e da sua comunidade?

Malu – Creio que os interesses e propósitos são muito diversificados, mas vejo um desejo de manter vínculos com o aprendizado e com a atualização. Sinto pequena motivação em trabalhar em grandes projetos, que vêm de uma matriz internacional, onde o que cabe ao arquiteto local é apenas aplicar ao terreno os formatos, modelos e especificações que já vem prontos. Não há lugar para autonomia e criatividade. A maioria acaba buscando instituições locais, redes de conhecidos ou o setor público, diretamente ou como prestadores de serviços, e quase todos almejam as áreas novas que estão surgindo.

FNA – Qual leitura você indica para quem deseja refletir mais sobre o futuro e tendências do curso de Arquitetura e Urbanismo?

Malu – O Arquiteto Urbanista é um curioso por natureza, muito observador e investigativo. Os encontros de nossas associações têm recebido muitos trabalhos sobre o tema. A ANPUR tem alguns livros publicados, a Residência da FAU-USP produziu um livro que relata a experiência – tudo disponível online, a Residência da UFBA tem um bom site e a ANPARQ, em seu próximo encontro em março, apresentará uma exposição de parte dos 35 projetos que concorreram ao Prêmio de Projetos de Extensão e dos três projetos institucionais que não concorreram: UFBA, UFRN e FAUUSP. Foi justamente da experiência dessas unidades e da participação de docentes envolvidos nessas experiências que se formataram os critérios para o prêmio. Diversos programas de Arquitetura e Urbanismo têm relevantes experiências de extensão. Vale à pena dar uma olhada. Deixo aqui uma lista.

Livros Anpur: http://anpur.org.br/publicacoes/livros/
Prêmios ANPARQ: http://anparq.org.br/PREMIO_ANPARQ%202020_Edital.pdf
Residência FAUUSP: https://www.fau.usp.br/cultura-e-extensao/residencia/
Site Residência UFBA: https://residencia-aue.ufba.br/
Motyrum Urbano – UFRN: https://m.facebook.com/motyrumurbano/
FNA: http://www.fna.org.br/2019/07/11/assistencia-tecnica-um-direito-de-todos-2/

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